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TRIEduc | Blog | De 120 para 80 habilidades: o que significa a reorganização da matriz preliminar do Enem?

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Por TRIEduc

A matriz preliminar do Enem reduz de 120 para 80 habilidades. Entenda o que essa reorganização significa e como as escolas devem se preparar.

A proposta de reorganização da matriz de referência do Enem, que passa de 120 para 80 habilidades, representa uma mudança na maneira de estruturar e descrever as aprendizagens avaliadas pelo exame. Mais do que uma redução numérica, a revisão busca reorganizar as competências e habilidades que orientam a elaboração das questões, com possíveis consequências para o planejamento pedagógico e a interpretação dos resultados.

Para as escolas, a principal questão não é quantas habilidades deixam de aparecer na matriz, mas o que essa reorganização revela sobre as expectativas de aprendizagem dos estudantes do Ensino Médio.

Por que a matriz preliminar do Enem passou de 120 para 80 habilidades?

Na matriz anterior, o Enem organizava suas quatro áreas do conhecimento em 30 habilidades cada, totalizando 120. A proposta preliminar reduz esse conjunto para 80 habilidades, distribuídas entre as áreas avaliadas.

Essa mudança, entretanto, não deve ser interpretada como a eliminação de um terço do conteúdo exigido dos estudantes. Uma habilidade não corresponde necessariamente a um conteúdo, a uma questão ou a um objetivo isolado de aprendizagem.

As habilidades descrevem operações que o estudante precisa mobilizar diante de determinadas situações. Uma mesma habilidade pode envolver diferentes conhecimentos, assim como um conteúdo pode ser utilizado para avaliar distintas capacidades cognitivas.

Por isso, reduzir o número de descritores não significa, necessariamente, tornar o exame mais fácil ou diminuir sua abrangência. O ponto central é compreender como as habilidades foram redefinidas e quais relações passam a estabelecer com os conhecimentos avaliados.

Menos habilidades significam uma avaliação menos exigente?

Não. A complexidade de uma avaliação depende menos da quantidade de habilidades descritas em sua matriz e mais da natureza das tarefas propostas aos estudantes.

Considere, por exemplo, duas questões de Matemática que envolvem porcentagens. Uma solicita a aplicação direta de um cálculo. A outra apresenta dados de diferentes períodos, exige a identificação de tendências e pede ao estudante que avalie uma decisão a partir das informações disponíveis.

Embora ambas mobilizem conhecimentos matemáticos semelhantes, elas demandam processos cognitivos distintos.

Esse exemplo ajuda a compreender por que a quantidade de habilidades, isoladamente, não permite determinar o nível de exigência de um exame.

A reorganização também traz um desafio técnico importante. Descritores mais abrangentes precisam ser suficientemente claros para orientar a elaboração de itens capazes de avaliar aquilo que a matriz pretende medir.

Caso contrário, duas questões classificadas na mesma habilidade podem exigir operações muito diferentes, dificultando a interpretação pedagógica dos resultados.

É justamente nesse ponto que a qualidade da construção dos itens e dos instrumentos de avaliação ganha relevância. Uma matriz mais sintética não precisa significar uma avaliação menos precisa.

Como as escolas devem se preparar para a nova organização?

Como a matriz ainda é preliminar, não é recomendável promover mudanças definitivas no currículo ou nos instrumentos de avaliação apenas em função da redução de 120 para 80 habilidades.

O caminho mais consistente é começar pela análise das diferenças entre as duas estruturas, identificando quais expectativas de aprendizagem permanecem, quais foram reformuladas e como os processos cognitivos aparecem na nova proposta.

Também é importante distinguir o currículo escolar da matriz de avaliação. O Enem não define, sozinho, tudo o que deve ser ensinado no Ensino Médio. Sua matriz delimita aquilo que o exame pretende avaliar, enquanto o planejamento pedagógico precisa contemplar objetivos formativos mais amplos.

No campo das avaliações, a preparação envolve revisar a correspondência entre itens e habilidades, acompanhar as definições oficiais e garantir que os instrumentos utilizados pela escola continuem produzindo informações úteis sobre a aprendizagem.

É nesse trabalho que a TRIEduc contribui, por meio do desenvolvimento de avaliações educacionais fundamentadas em critérios técnicos, da utilização da Teoria de Resposta ao Item (TRI) e da produção de diagnósticos que apoiam professores e gestores.

A reorganização da matriz preliminar do Enem reforça uma discussão que vai além do exame: o valor de uma avaliação não está na quantidade de habilidades que ela apresenta, mas na qualidade das evidências que consegue produzir sobre o que os estudantes sabem e são capazes de fazer.

Para as escolas, acompanhar essa mudança é uma oportunidade de revisar não apenas o que se avalia, mas principalmente como os resultados são utilizados para melhorar a aprendizagem.

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